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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

.38 algo sobre o calibre e dicas de recarga

Cápsulas rachadas e balas bem recarregadas


  1.       Em 1902 o .38 Special  foi introduzido pela Smith Wesson nos EUA para os militares e policiais, desde essa data o .38 SPL tem sido o calibre mais usado no mundo. A versatilidade do .38 SPL é para o atirador de armas curtas como o .308 é para o esportista do rifle.
  2.     O Calibre. 38 é um dos mais versáteis calibres de armas curtas. É muito difundido no Brasil por ser um calibre de múltiplo uso: defesa, tiro esportivo e caça de animais não muito grandes. No Brasil podemos caçar qualquer animal nativo com esse calibre.
  3.    Comparando com o oeste americano, podemos dizer que a região oeste do Brasil também foi desbravada à custa do. 38, não em termos de matança de índios, mas em termos de manutenção da lei, disputas de terras, diferenças entre proprietários, etc. Como diz meu compadre, morador do Mato Grosso do Sul: se peneirarmos as terras dos cemitérios do Mato Grosso aparecerá muito chumbo, e com certeza  cal.38.
  4.     No pantanal o revolver. 38 é sempre visto na guaiaca dos peões, é     ferramenta imprescindível. Muito usado para matar cateto e outros bichos, como também para defender a propriedade.
  5.     Helena Meirelles, num de seus CDs, fala que aprendeu a tocar com paraguaios por volta de 1932 e que depois foram todos mortos no Mato Grosso. Com certeza com balas . 38.  Ela conta também que tocava na zona de prostituição na cidade de Porto XV onde paravam as comitivas, e sempre deparava com peão mexendo o copo de cerveja com o cano do. 38!
  6.    Muita gente questiona porque vai  pouca pólvora na cápsula do. 38, ficando um grande espaço vazio. O tamanho da cápsula é grande, pois quando foi introduzido, era ainda usada a pólvora preta e a cápsula tinha que ter maior volume. Mas, foi providencial este tamanho da cápsula,  hoje podemos fazer uso de varias cargas de pólvora como também variados tipos de projéteis, chegando até o peso de 200 grains , tendo assim espaço suficiente.
  7.      A cápsula. 38 pode também tornar-se uma bala envenenada mais forte que uma bala .357. Lògicamente, não para uso em revólver mas  numa carabina tipo Puma.
  8.     O .38 é tão versátil que podemos usar projéteis de peso desde 110 grains até 200 ou mais grains, podemos também variar os projéteis usando jaquetados, de chumbo, canto vivo, semi canto vivo e até três projéteis pequenos de uma só vez ou então o shot Shell, que são chumbinhos muito finos encapsulados que são colocados como projétil, usado para pegar pequenos animais ou aves.
  9.     A recarga do. 38 popularizou -se muito em todo o mundo, justamente por ser um dos calibres mais fáceis de recarregar e também de boa vantagem, pois tem um bom aproveitamento de cápsulas.
  10.     Sempre  digo que a recarga do calibre.38 é a escola para o recarregador, a maioria dos atiradores de bala começam com o .38
  11.     Quando foi liberada a recarga no Brasil, nós não tínhamos experiência  nas cargas , mesmo a IMBEL que era a única que fornecia pólvora na época, não fornecia tabela de carga, muita gente explodiu revolver, felizmente o meu TA que foi um dos primeiros  fabricados agüentou todo meu teste.
  12.     Uma ocasião o meu TA.38 me salvou de passar fome no pantanal numa pescaria que não apanhamos  nenhum peixe.Tivemos que praticar a caça de subsistência e  comer  jacaré.   
  13.    Existem muitas dicas para a recarga do. 38, passaremos algumas que poderão servir aos recarregadores  novatos. Não forneceremos aqui quantidade de pólvora para os diversos pesos de projéteis, isso as fábricas  de pólvora podem fornecer.
  14.     Primeiramente a questão da lavagem das cápsulas, a pergunta é sempre esta: é melhor  seco ou úmida. Outra questão é se deve lavar antes ou depois da calibragem. Na realidade o mais certo é limpar antes as cápsulas porque  estando limpas não danificarão as peças da prensa. Tem um detalhe: se for a seco não há que se preocupar com a umidade. Se for úmida, a cápsulas deverão serem secas logo depois a lavagem e também posteriormente, pois no bolso da espoleta poderá ficar algum ponto de umidade. Então a escolha entre úmida e seca deverá ser eleita pelo recarregador.
  15.    Conforme o desenho anexo, podemos enumerar certas ocorrências na recarga.
  16. 1.    1. A cápsula poderá aparecer um gargalo próximo ao culote, isto sinaliza excesso de pressão.
  17. 2.    2. Bala montada com projétil com diâmetro maior que o especificado pelo calibre, acontece com fábricas de projéteis que não cuidam da medida.
  18. 3.   3. Estufamento  na zona do crimp, isto acontece  mais quando se carrega com projéteis encamisados ou de dureza muito alta. A causa poderá ser a não coincidência do crimp na canaleta de crimp do projétil, ou então o projétil possui uma canaleta pouco profunda. Solução é diminuir o crimp. Consequências do estufamento é a bala não entrar no tambor.
  19. 4.   4. Rachadura longitudinal__É causado por sobrecarga de pólvora ou mesmo uma falha no material da cápsula, como uma minúscula bolha no material e quando a cápsula é extrudada aparece a falha na mesma direção da extrusão do material
  20. 5.    5. Rachaduras na boca da cápsula_A causa é a fadiga sofrida pela cápsula após muita recarga. Podemos diminuir esta fadiga dando menos crimp na cápsula ou mesmo deixar sem nenhum crimp. Alguns recarregadores usam a seguinte tática: coloca o projétil sem formar o crimp e depois introduz a bala pronta, um a dois milímetros no calibrador de cápsula, logicamente afastando o pino sacador de espoletas.
  21. 6.    6. Clássica separação da cápsula em duas partes, isso acontece muito com cargas excessivas de pólvora de queima rápida. Dá-se muito isso em carabinas.
  22. 7.    7. Bala bem recarregada, sem defeitos no corpo e com pouco crimp.

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